— Conforme, meu filho: eu, por exemplo, casei-me com a idade de vinte e cinco anos.
— Conforme, meu filho: eu, por exemplo, casei-me com a idade de vinte e cinco anos.
Um sujeito foi um dia visitar um hospital de doidos.
Andando a passear na cerca, encontrou um doente com quem travou conversa:
— Então, diga-me, porque veio para o hospital?
O doente respondeu:
— Olhe, meu senhor, casei com uma viúva que tinha uma filha já crescida; o meu pai casou com a minha enteada e isso fez que à minha mulher ficasse sendo sogra do seu sogro e o meu pai meu enteado; depois a minha madrasta (e filha de minha mulher) teve um filho, e essa criatura, está bem de ver, era meu irmão, porque era filho do meu pai, mas era também filho da filha de minha mulher, e portanto a minha madrasta ficou sendo irmã do meu filho e também sua avó, porque ele era filho do seu enteado, e o meu pai cunhado do meu filho, porque a irmã dele era a minha mulher e eu sou irmão do meu próprio filho que também é filho da minha avó; eu sou cunhado da minha madastra e minha mulher é tia do seu e meu próprio filho; meu filho é sobrinho do meu pai e eu sou avô de mim mesmo.
Aqui tem a razão por que eu aqui estou…
No manicómio um internado entrega a outro a lista dos telefones.
— É para tu apreciares, quando puderes. É um romance que eu escrevi. Depois dás-me a tua opinião.
— Já li. Levei a noite inteira com isso. Não acho desengraçado. Mas, se não te parece mal a minha opinião, o único defeito é ter personagens a mais.
No manicómio estão a servir o primeiro almoço. Um dos loucos diz à enfermeira:
— Menina Adélia, pode dar-me um torrão de açúcar?
— Mas eu dei-lhe seis!
— Pois sim, mas derreteram-se todos.
Certa vez iam três malucos pela Avenida da República abaixo; quando chegaram ao Marquês de Pombal, um deles disse para irem empurrar a estátua. Os outros concordaram e lá começaram a empurrar. Tanto empurraram, que já estavam cheios de calor e resolveram despir os casacos. Despiram-nos e puseram-nos à beira do passeio. Passou por lá um sujeito e tirou-lhos. Claro que eles estavam todos entretidos a empurrar a estátua, e nem deram por isso.
Ao fim de uma hora de estarem a empurrar, um deles diz:
— Ó pá, isto parece que não anda!
— Anda, sim senhor; eu já nem vejo os casacos!
Havia um maluco que dizia que já estava bom e o director lá da casa onde ele estava mandou-o chamar para ver se ele estava memo bom! Chamou-o:
— Bom, você vai-se embora e o que é que vai fazer quando chegar lá fora?
— Ah! Eu, quando chegar lá fora, compro uma fisga e vou aos pássaros!
— Pssst: Lá pra dentro, que isso não é para andar na rua!
Chamou-o uma porção de vezes e ele dizia sempre a mesma coisa! Até que chamou-o um dia:
— Bom, você vai-se embora e o que é que vai fazer quando chegar lá fora?
— Bem, eu, quando chegar lá fora vou arranjar uma mulher!
— Sim senhor, assim é que é! Começar a vida! Atão e depois, o que é que faz?
— Depois vou despi-la!
— Sim, senhor, muito bem! E depois? — O Director já estava a ficar enrolado!
— Depois tiro-lhe a camisa!
— Sim, sim, sim, sim, sim, sim! E depois? E que mais?
— Depois tiro-lhe as calças!
— Ah! Muito bem! E que mais?
— Depois tiro-lhe o soutien!
— Muito bem! E que mais?
— Depois tiro-lhe as cuecas!
— Sim, senhor! E que mais?
— Depois tiro-lhe as meias!
— E que mais? E que mais?
— Depois tiro-lhe as ligas, faço uma fisga e vou aos pássaros!
Como chamamos um homem que perdeu sua inteligência? Viúvo!
No manicómio, um grupo de dez ou doze loucos brinca aos comboios. Põem-se em bicha, correm, apitam, param na hipotética estação, retomam a marcha ao som do apito.
Ao cabo de uma hora, outro internado, que assiste ao espectáculo, grita:
— Quando acabam com isso?
— Porquê? Incomoda-te o barulho?
— Não, mas incomoda-me o fumo.
— Senhor doutor: o meu irmão está tarado: julga-se uma galinha!
— Pois então — diz o médico —, trate de o internar.
— Não posso. Preciso muito dos ovos.
No hospital dos doidos um internado desata a correr pelos corredores, e atrás dele vai toda a gente que o vê correr: enfermeiros, médicos, serventes. O doido corre e vai gitando:
— Estou podre! Estou podre! Estou podre!
Chegando ao fundo de um corredor sem saída, parou. Quando os perseguidores chegaram ao pé dele, o doido, com as lágrimas nos olhos, metia o dedo no cú, cheirava, tornava a meter o dedo no cú, tornava a cheirar, e continuava:
— Estou podre! Estou podre!
O doido, no hospital:
— Senhor director: Já sei que estou curado e venho pedir alta.
— Tu sabes qual era a tua mania? Sabes mesmo que estás curado?
— Sei que tinha a mania que era milho. Mas hoje sou uma pessoa como outra qualquer.
— Bem. Então o que é que vais fazer lá fora?
— Senhor director… eu vou trabalhar, vou constituir família, vou fazer uma vida igual à dos outros homens.
— E achas que já te encontras em condições de fazer uma vida normal?
— Fique descansado, senhor director. Sinto-me completamente curado.
— Bem. Vou-te dar alta. Aqui tens o papel assinado.
O doido vai já à porta do gabinete, quase a sair, volta-se para trás e diz:
— Agradecia-lhe só mais um favor.
— O que é?
— É que avise as galinhas, lá em baixo, no pátio, porque elas não sabem de nada.