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Em Moscovo, em pleno Inverno, e ainda no tempo do império, os agitadores Hermann, Ivan e Zeilu estão prestes a ser fuzilados, pesando sobre eles a acusação de inimigos da sociedade. Antes da execução, um carcereiro anuncia-lhes que, uma vez que vão morrer, a lei lhes faculta pedirem o que quiserem, pois que a sua última vontade será atendida.
Hermann pede papel de carta para escrever a despedir-se da família. Ivan manifesta o desejo de fumar um bom charuto. Zeilu pede, por fim: Quero que me tragam morangos.
— Mas nesta época não há! — observou o carcereiro.
— Não faz mal. Não me importo de esperar.

Um jovem casal que ganhara muitos e valiosos presentes de casamento instalou o seu lar num bairro da zona sul. Certa manhã, receberam pelo correio duas entradas para uma peça musical que estava em cena na cidade, juntamente com um bilhete com a seguinte e única frase:
— Adivinhem quem mandou?
Tentaram descobrir, pela letra, quem era o gentil ofertante, mas não chegaram a uma conclusão. A noite, foram ao teatro e divertiram-se com a peça. Voltando tarde para casa, e ainda tentando adivinhar a identidade de quem havia mandado as entradas, depararam com o apartamento «depenado» de todos os objectos valiosos.
Sobre a mesa da sala de jantar encontraram um bilhete escrito com a mesma caligrafia do que acompanhara as entradas de teatro, e que dizia: «Agora já sabem.»

Um ladrão está a assaltar uma casa e a dada altura ouve uma voz dizer:

  • Jesus está a ver-te.

O homem não liga. Ouve a voz outra vez:

  • Jesus está a ver-te.

O homem desta vez olha para trás e vê um papagaio.

  • Quem és tu?
  • Moisés!
  • Mas que raio de pessoa é que chama Moisés a um papagaio?

Ouve-se um rosnar e salta um rotweiller para cima do homem. O papagaio diz com voz sábia:

  • Provavelmente a mesma pessoa que chama Jesus a um rotweiller.

Um menino passa, de bicicleta, fazendo habilidades em frente do banco onde está a mãe em conversa com as amigas, e grita entusiasmado:

  • Mamã! Mamã! Olhe: sem mãos. Pouco depois torna a passar:
  • Mamã! Olhe, mamã: sem mãos e sem pés!

Daí a um bocadinho, vem a pé, com a máquina à mão, cara ensanguentada, lamuriando:

  • Mamã: sem dentes.
  • O meu pai, aqui por estas redondezas, foi o homem mais valente. Chegou a andar à pancada com dez e doze, e dava sempre pancadaria em todos. Na guerra foi o mais valente. Só à parte dele matou mais de 50.
  • O meu pai também foi muito valente: onde quer que ele chegava, quem mandava era ele. Aquilo era com pessoas, era com bois, com cobras, com lobos, fosse o que fosse. Não havia nada que fizesse pouco dele. Tu já ouviste falar no Mar Morto?
  • Já.
  • Pois foi ele quem o matou.