Etiqueta: criminoso

Condenado à morte, um soldado francês implorou a Napoleão que lhe perdoasse.
— Não posso consentir no que me pedes — respondeu o imperado
— Senhor, confesso ter perpetrado o crime de que me acusam e reconheço que devo ser castigado; mas o género de morte que me destinais é horroroso.
— Sendo só isso o que te inquieta, poderei conceder-te um favor.
— Qual, senhor?
— Escolheres a maneira como preferes acabar a vida.
— Mil vezes obrigado, senhor. Aceito.
— Escolhe: como queres morrer?
— De velhice.

No Tribunal da Golegã, um réu, muito esfarrapado, afirmava e jurava por alma de todos os seus defuntos que um relógio que o acusavam de ter roubado era dele.
— Ora bem — disse-lhe o juiz — Como é que você pode justificar ser o dono de um objecto de tanto valor?
— Era do meu pai.
— Seu pai nunca teve, decerto, rendimentos que lhe permitissem ter um relógio assim!
— Teve, sim senhor: era gatuno.

Em Moscovo, em pleno Inverno, e ainda no tempo do império, os agitadores Hermann, Ivan e Zeilu estão prestes a ser fuzilados, pesando sobre eles a acusação de inimigos da sociedade. Antes da execução, um carcereiro anuncia-lhes que, uma vez que vão morrer, a lei lhes faculta pedirem o que quiserem, pois que a sua última vontade será atendida.
Hermann pede papel de carta para escrever a despedir-se da família. Ivan manifesta o desejo de fumar um bom charuto. Zeilu pede, por fim: Quero que me tragam morangos.
— Mas nesta época não há! — observou o carcereiro.
— Não faz mal. Não me importo de esperar.

Um jovem casal que ganhara muitos e valiosos presentes de casamento instalou o seu lar num bairro da zona sul. Certa manhã, receberam pelo correio duas entradas para uma peça musical que estava em cena na cidade, juntamente com um bilhete com a seguinte e única frase:
— Adivinhem quem mandou?
Tentaram descobrir, pela letra, quem era o gentil ofertante, mas não chegaram a uma conclusão. A noite, foram ao teatro e divertiram-se com a peça. Voltando tarde para casa, e ainda tentando adivinhar a identidade de quem havia mandado as entradas, depararam com o apartamento «depenado» de todos os objectos valiosos.
Sobre a mesa da sala de jantar encontraram um bilhete escrito com a mesma caligrafia do que acompanhara as entradas de teatro, e que dizia: «Agora já sabem.»