Etiqueta: alentejano

Havia um alentejano, daqueles alentejanos cheios de massa, mas que não sabem nada, que queria vir a Lisboa mas não sabia onde era. Então perguntou a um compadre que já cá tinha vindo. O outro explicou-lhe assim:
— Olhe, compadre: você vai andando no seu carro; quando vir prédios muito altos, é aí que é Lisboa.
O homem assim fez. Chegou a Vila Franca de Xira, viu prédios altos, parou, entrou numa barbearia e perguntou ao barbeiro:
— Oiça lá, amigo: é aqui que é Lisboa?
— Não senhor: aqui é terra de touros e toureiros.
— Então você é toureiro!
— Não, não sou.
— Eh, Diabo!…

O padre caminha, um pouco desorientado por uma vereda; encontra um garoto a guardar umas cabrinhas e pergunta-lhe:
— Menino, sabes-me dizer onde é a estrada que vai para Évora?
— O senhor prior quer ir para Évora?
— Quero, sim.
— Então o senhor prior é que vai. A estrada não vai. Fica.
— Ah, sim? Como é que te chamas?
— Eu não me chamo. Os outros é que me chamam.
— Olha lá — diz o padre já aborrecido —, há muitos atrasados mentais, lá na tua terra?
— Nã senhora, já não há. Os que havia foram todos pra padres.

— Zé, tem cudado que aí nesse sito passa o cano da água.
— Tá bem, senho Manel.
Momentos depois a picareta do Zé atinge o cano com o bico. Esparrinha água para todos os lados, entra na loja de fazendas, molha o Zé e os que estavam perto, aparece o capataz e grita:
— Atão é nã te disse que aí passava um cano?
— Disse, sim, senhora. Mas nã me disse a que horas!

Diz um alentejano à mulher:

  • Ó Maria, prepara uma roupa que eu quero tomar banho p’ra depois tratar dos negócios! E a mulher prepara a roupa e põe-na na casa de banho.

Vai o homem tomar banho, começa a correr água e grita:

  • Ó Maria, traz-me o champô porra!
  • Ah homem, então o champô tá aí na casa de banho! – diz a mulher.
  • Ah, isto é para cabelos secos e eu já molhei a cabeça!

Precisando de mais um piloto para a sua frota de aviões, uma empresa
comercial lisboeta pôs um anúncio no jornal pedindo candidatos.
Entre outros, aparece um alentejano.
Eis o conteúdo da sua entrevista:

  • Então o senhor tem brevet de pilotagem?
  • Tenho o queim?
  • O senhor sabe pilotar aviões?
  • Nã senhori.
  • Percebe alguma coisa de coordenadas de voo?
  • Nã senhori.
  • Sabe, ao menos, falar Inglês?
  • Nã senhori.
  • Então o que é que veio cá fazer?
  • Ê vim cá dzêri, pá nã contarem cá comigo!

Uma loira farta de ser gozada pela sua cor de cabelo decidiu pintá-lo. Depois como já ninguém sabia que ela era loira decidiu verificar se o conseguiam descobrir. Foi ao Alentejo e encontrou um pastor a guardar as suas ovelhas. Foi falar com ele e disse-lhe:

  • Se eu conseguir adivinhar quantas ovelhas tem você dá-me uma?
  • Você? Assim de repente… não acredito! Diga lá.
  • 134.
  • Credo, e não e´que adivinhou mesmo? Escolha lá a ovelha.
  • Pode ser essa que tem debaixo do braço.

Toda contente a loira pega no seu prémio e vai-se embora. Nisto o alentejano pergunta:

  • Se eu adivinhar a côr natural do seu cabelo você devolve-me o cão?

No Alentejo, um indivíduo vai ao médico:
— Sô doutor, olhe para isto — mostra a parte detrás do pescoço com um hematoma.
Foi um leão…
— Um leão? Onde é que isso aconteceu?
— Em Évora.
— Em Évora?!
— Olhe, sô doutor e esta foi um urso — diz o alentejano, mostrando as costas cortadas por escoriações horríveis.
— Um urso?! Onde aconteceu isso?
— Em Évora. E olhe mais esta! — diz o alentejano, mostrando uma perna cheia de feridas e escalavrada. — Esta foi um tigre!
— Um tigre? Onde? Não me diga que também foi em Évora.
— Foi em Évora, sim, Sô doutor, e digo-lhe mais. Se não parassem o carrossel a tempo, matavam-me ali mesmo!…

Uma pesquisadora do Ministério da Agricultura chega a um monte perdido no interior do Alentejo e pergunta ao feitor.
— Essa terra dá trigo?
— Nã, senhora — responde o alentejano.
— Dá batatas?
— Também nã, senhora!
— Dá feijão?
— Nunca deu! .
— Arroz?
— De jêto nenhum!
— Milho?
— Nem a brincar!
— Quer dizer que por aqui não adianta plantar nada?
— Ah, bem! Se plantar é diferente…

Um alentejano visita o Oeste americano. Lá chegado, trava conhecimento com um proprietário rural, que o convida para o seu rancho e lhe diz:

  • Amanhã de manhã, às oito horas, pego no carro, aponto a direito, sem virar nem à esquerda, nem à direita, e às quatro da tarde, continuo nas minhas terras. Não acha espantoso?
  • Não – diz o alentejano. – Eu também há tempos tive uma merda de um carro igual ao seu.

Um alentejano foi visitar a China.
Uma vez lá chegado, o homem visitou o Poço dos Nomes.
Dizia a lenda que quem estivesse prestes a ser pai deveria atirar uma pedra para o poço, e o barulho que a pedra fizesse seria então o nome do filho.
O alentejano aproxima-se do poço e vê um Chinês a atirar uma pedra, que faz: Chin-Chan-Yen.
O alentejano acha piada aquilo e vê outro Chinês a fazer o mesmo: Tin-To-Yan.
O alentejano não resiste e, como também ele estava prestes a ser pai, atira também uma pedra.
Conforme cai no poço, a pedra faz: Chim-Pan-Zé.

Um jovem que tinha acabado há pouco tempo uma especialização em eficácia na organização da produção, ia um dia tranquilamente de carro pelo meio do Alentejo.
Às tantas deparou-se-lhe uma cena que por pouco não o enlouqueceu: um compadre segurava um porco acima da cabeça e andava à volta de uma azinheira a levar o porco de bolota em bolota.
O rapaz, jovem e generoso, parou o carro e foi falar com o compadre:
— Amigo, tive uma ideia que talvez lhe interesse: porque não sacode as bolotas da árvore? Depois punha o porco no chão e com isso poupava imenso tempo…
O homem parou, reflectiu, pôs novamente o porco à cabeça e respondeu com um encolher de ombros:
— Que é o tempo para um porco?…

Um alentejano vai de visita á União Soviética, e resolve ir caçar pombos para a zona de Chernobyl. Um Russo que o vê alerta-o.
Russo: – Você não pode comer essas pombos. Têm radioactividade.
Alentejano: – Não tem não. Dito isto pega num pombo e aproxima-o do ouvido.
Alentejano: – Rádio não tem. Depois atirar-o ao chão.
Alentejano: – Não se mexe, de modo que actividade também não.