Etiqueta: alentejano

Dois compadres, zangados há muito tempo, passam um pelo outro num caminho. Um deles leva um bovino à frente. Diz o outro:
— Atão vai passear o boi?
O outro, muito admirado:
— Mas que jêto, compadre? A gente nã se falava há tanto tempo! Mas isto nã é boi. É uma vaquinha. O compadre enganou-se. Resposta do primeiro:
— É cá nã fali consigo. Foi com a vaca.

Um homem ia fazer uma viagem de comboio e levava um carneiro. Chegou à estação e pediu dois bilhetes. O empregado disse-lhe que para ele podia vender-lhe o bilhete mas que para o carneiro não podia.. O homem resignou-se, mas reparou que uma senhora comprará bilhete para «um lulu». Então b homem cortou o pêlo ao carneiro, deixou-o como o cão da senhora, atou-lhe uma corrente ao pescoço e foi tirar o bilhete.
— Dê-me um bilhete se faz favor.
— O senhor pode ir mas o carneiro não!
— Isto não é um carneiro, é um cão!
— Um cão com comos?
— Oh meu amigo, nem você nem eu temos nada com isso. É lá com ele e com a mulher dele.

Um alentejano veio a Lisboa e encontrou-se com um amigo. Andavam os dois a passear pela rua, e o alentejano a todos os manequins que via nas montras cumprimentava. O amigo disse-lhe para não fazer aquilo, porque aquelas figuras não eram pessoas.
— Bom, está bem — respondeu-lhe o alentejano.
Certo dia iam a passar por um quartel e estava lá a sentinela em sentido. Vai o alentejano, dá-lhe uma bofetada e diz:
— Quem é que há-de dizer que um cabrão destes não é gente?

Mês de Julho, sol a escaldar, vai-se inaugurar, com um pequeno voo, o campo de aviação de Beja. O trajo das autoridades obriga toda a gente a manter-se encasacada. Alagado em suor, o compadre Manel, convidado para a cerimónia, desabafa:
— Tal nã é esta merda dum cabrão! Se haviam de pôr as aventoinhas aqui dentro do avião, a fazer fresco, atão não vão pô-las da parte de fora?!

Um casal de alentejanos vem a Lisboa e toma um autocarro. Vem o condutor, e ouvem um senhor dizer: Marquês do Pombal!
— Ena, pá! Um marquês! Que gente tão fina!
Depois outro: Fontes Pereira de Melo!
— ‘Tás a ouvir, Manel? Tás a ouvir? É gente da alta!
Nisto o condutor chega ao pé deles e o homenzinho, meio envergonhado, meio encolhido, diz:
— Eu cá sou o Manei e esta aqui é a minha mulher, a Maria!

Um alentejano veio a Lisboa, de mota. Desceu-se da mota e teve comichão na cabeça. Começou a coçar por cima do capacete, e um indivíduo que observava, disse-lhe:
— O senhor é alentejano, não é?
— Sou, si senhora. Atão por quêim?
— Ora… é porque está a coçar-se por cima do capacete.. Não deve ser muito esperto…
— Atão e o senhor: pra coçar o cu despe as calças?

Num café de Lisboa, entram dois alentejanos, vestidos com casacos de peles de carneiro. Encontravam-se aí «uns meninos bonitos», que começaram a fazer pouco deles, dizendo:
— Mé, mé, mé……
Eis a resposta de um dos alentejanos:
— Ó colega, já viste aquele gajo? Há dois anos que lhe morreu o pai, e ainda agora lhe está a conhecer a pele!