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O aldeão passava em frente da moradia de férias do escritor e via-o sentado à mesinha de trabalho, a escrever.
— Bom dia, senhor doutor. Está a descansar, não é verdade?
— Não, meu amigo: estou a trabalhar.
Cuidava o aldeão que a resposta era de brincadeira. Um dia em que o escritor se entretinha a cavar o jardim, o camponês aproxima-se, e diz com ar de triunfo:
— Ah! Hoje sim. Hoje é que o senhor doutor está a trabalhar!
— Engana-se, meu amigo. Hoje é que estou a descansar.

Um funcionário público — cumpridor, regrado, disciplinado — num primeiro dia de Inverno, saiu de casa para o emprego, sem chapéu de chuva. No carro eléctrico, ao levantar-se, pegou distraidamente no guarda-ohuva de um homem, que ia a seu lado, e este chamou-Ihe a atenção para o facto. Envergonhadíssimo, entrou numa loja e comprou um, sem se lembrar de que na repartição tinha, sempre, por prudência, outro, para uma falta. Entretanto, em casa, a mulher, notando o esquecimento dele, mandou a criada levar-lhe o que era normalmente de seu uso. À hora do almoço, quando foi para casa, teve a triste ideia de levar os três guarda-chuvas. Ideia triste, porque no eléctrico se lhe deparou o mesmo passageiro da manhã, que, ao vê-lo tão bem apetrechado, lhe disse com um ar fingidamente cúmplice:
— Bravo! Que boa colheita, hoje…

Um jovem pai empurra o carrinho do filho numa avenida do parque. O menino chora desaforadamente, grita, gesticula com os bracitos e as pernitas. Mas o pai segue tranquilo e lentamente, apenas murmurando, em voz baixa, de vez em quando:
— Calma, Bernardo! Bernardo, acalma-te.
Um psiquiatra que ia passando, parou a apreciar a cena e, cheio de admiração, aproxima-se do jovem pai e diz-lhe:
— Permita-me que o felicite, amigo. Você sabe dominar maravilhosamente os seus nervos. Todos os pais deviam imitá-lo.
Depois, olhando o pequeno rebelde, ajunta, apontando o menino:
— Chama-se Bernardo, não é verdade?
— Não senhor — responde o pai — Bernardo sou eu!

Os homens chegam ao Entroncamento e vêem expostas uma batata de tamanho descomunal, que devia pesar muitos quilos, uma cebola quase do mesmo tamanho; olham, admirados, entram no estabelecimento, e um deles pergunta ao caixeiro:
— Diga-me, por favor: cá na terra há um gato preto, aí com um metro e meio de comprimento, todo preto e com uma coleira branca?
— Não, senhor, não há.
— Tem a certeza que não há?
— Tenho. Nunca cá se deu notícia desse gato.
— Então, Manel — diz o homem voltando-se para o companheiro —, não tenhas dúvidas de que atropelaste um padre.