O homem chega tarde à pensão e o amigo diz-lhe que os quartos estão todos ocupados.

  • Olha: só o que posso fazer é deixar-te dormir no quarto da minha miúda. Não há mal… a miúda tem nove anos. Ficas tu na caminha dela e ela dorme no divã.

Assim foi. Mal o homem se deita, diz-lhe a miúda:

  • Se o senhor me dá cem mil réis, faço-lhe uma coisa com a mão.
  • Ó menina tenha juízo. Você é muito criança para falar em coisas dessas.
  • Se me der duzentos mil réis, faço-lhc uma coisa com as duas mãos.
  • Deixe-se disso, menina. Durma, e cale-se com essa parvoíces.
  • Se me der quinhentos mil réis, faço-lhe uma coisa com as duas mãos e com a boca.
  • Ai, que eu vou dizer ao seu pai… Mas, já agora, sempre quero ver o que é. Aqui estão quinhentos escudos.

Então a miúda mete os polegares nos cantos da boca, os indicadores abaixo dos olhos, aproxima tanto quanto pode os olhos dos beiços, fica com uma careta horrível e grita: Ah! Ah! Ah! Ah! Pega na nota e guarda-a.