Mês de Julho, sol a escaldar, vai-se inaugurar, com um pequeno voo, o campo de aviação de Beja. O trajo das autoridades obriga toda a gente a manter-se encasacada. Alagado em suor, o compadre Manel, convidado para a cerimónia, desabafa:
— Tal nã é esta merda dum cabrão! Se haviam de pôr as aventoinhas aqui dentro do avião, a fazer fresco, atão não vão pô-las da parte de fora?!
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Anedota
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Anedota
Dois alentejanos olham embasbacados para um avião que vai relativamente baixo. Pergunta um:
— Sabes como é que se chama aquela coisa?
— Ignoro.
— É Pá! Muitos contos de réis deve custar um ignoro! -
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Um casal de alentejanos vem a Lisboa e toma um autocarro. Vem o condutor, e ouvem um senhor dizer: Marquês do Pombal!
— Ena, pá! Um marquês! Que gente tão fina!
Depois outro: Fontes Pereira de Melo!
— ‘Tás a ouvir, Manel? Tás a ouvir? É gente da alta!
Nisto o condutor chega ao pé deles e o homenzinho, meio envergonhado, meio encolhido, diz:
— Eu cá sou o Manei e esta aqui é a minha mulher, a Maria! -
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Um alentejano viu outro a esborrachar com o pé um caracol e disse-lhe:
— Caramba, homem, matares um bichinho que não faz mal a ninguém!
Responde o primeiro:
— Não faz? Não? Há uma porção de tempo que ele me persegue. -
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Um alentejano veio a Lisboa, de mota. Desceu-se da mota e teve comichão na cabeça. Começou a coçar por cima do capacete, e um indivíduo que observava, disse-lhe:
— O senhor é alentejano, não é?
— Sou, si senhora. Atão por quêim?
— Ora… é porque está a coçar-se por cima do capacete.. Não deve ser muito esperto…
— Atão e o senhor: pra coçar o cu despe as calças? -
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Num café de Lisboa, entram dois alentejanos, vestidos com casacos de peles de carneiro. Encontravam-se aí «uns meninos bonitos», que começaram a fazer pouco deles, dizendo:
— Mé, mé, mé……
Eis a resposta de um dos alentejanos:
— Ó colega, já viste aquele gajo? Há dois anos que lhe morreu o pai, e ainda agora lhe está a conhecer a pele! -
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Havia um alentejano, daqueles alentejanos cheios de massa, mas que não sabem nada, que queria vir a Lisboa mas não sabia onde era. Então perguntou a um compadre que já cá tinha vindo. O outro explicou-lhe assim:
— Olhe, compadre: você vai andando no seu carro; quando vir prédios muito altos, é aí que é Lisboa.
O homem assim fez. Chegou a Vila Franca de Xira, viu prédios altos, parou, entrou numa barbearia e perguntou ao barbeiro:
— Oiça lá, amigo: é aqui que é Lisboa?
— Não senhor: aqui é terra de touros e toureiros.
— Então você é toureiro!
— Não, não sou.
— Eh, Diabo!… -
Anedota
O padre caminha, um pouco desorientado por uma vereda; encontra um garoto a guardar umas cabrinhas e pergunta-lhe:
— Menino, sabes-me dizer onde é a estrada que vai para Évora?
— O senhor prior quer ir para Évora?
— Quero, sim.
— Então o senhor prior é que vai. A estrada não vai. Fica.
— Ah, sim? Como é que te chamas?
— Eu não me chamo. Os outros é que me chamam.
— Olha lá — diz o padre já aborrecido —, há muitos atrasados mentais, lá na tua terra?
— Nã senhora, já não há. Os que havia foram todos pra padres. -
Anedota
— Zé, tem cudado que aí nesse sito passa o cano da água.
— Tá bem, senho Manel.
Momentos depois a picareta do Zé atinge o cano com o bico. Esparrinha água para todos os lados, entra na loja de fazendas, molha o Zé e os que estavam perto, aparece o capataz e grita:
— Atão é nã te disse que aí passava um cano?
— Disse, sim, senhora. Mas nã me disse a que horas! -
Anedota
Diz um alentejano à mulher:
- Ó Maria, prepara uma roupa que eu quero tomar banho p’ra depois tratar dos negócios! E a mulher prepara a roupa e põe-na na casa de banho.
Vai o homem tomar banho, começa a correr água e grita:
- Ó Maria, traz-me o champô porra!
- Ah homem, então o champô tá aí na casa de banho! – diz a mulher.
- Ah, isto é para cabelos secos e eu já molhei a cabeça!
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Anedota
Precisando de mais um piloto para a sua frota de aviões, uma empresa
comercial lisboeta pôs um anúncio no jornal pedindo candidatos.
Entre outros, aparece um alentejano.
Eis o conteúdo da sua entrevista:- Então o senhor tem brevet de pilotagem?
- Tenho o queim?
- O senhor sabe pilotar aviões?
- Nã senhori.
- Percebe alguma coisa de coordenadas de voo?
- Nã senhori.
- Sabe, ao menos, falar Inglês?
- Nã senhori.
- Então o que é que veio cá fazer?
- Ê vim cá dzêri, pá nã contarem cá comigo!
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Anedota
Uma loira farta de ser gozada pela sua cor de cabelo decidiu pintá-lo. Depois como já ninguém sabia que ela era loira decidiu verificar se o conseguiam descobrir. Foi ao Alentejo e encontrou um pastor a guardar as suas ovelhas. Foi falar com ele e disse-lhe:
- Se eu conseguir adivinhar quantas ovelhas tem você dá-me uma?
- Você? Assim de repente… não acredito! Diga lá.
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- Credo, e não e´que adivinhou mesmo? Escolha lá a ovelha.
- Pode ser essa que tem debaixo do braço.
Toda contente a loira pega no seu prémio e vai-se embora. Nisto o alentejano pergunta:
- Se eu adivinhar a côr natural do seu cabelo você devolve-me o cão?
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Anedota
No Alentejo, um indivíduo vai ao médico:
— Sô doutor, olhe para isto — mostra a parte detrás do pescoço com um hematoma.
Foi um leão…
— Um leão? Onde é que isso aconteceu?
— Em Évora.
— Em Évora?!
— Olhe, sô doutor e esta foi um urso — diz o alentejano, mostrando as costas cortadas por escoriações horríveis.
— Um urso?! Onde aconteceu isso?
— Em Évora. E olhe mais esta! — diz o alentejano, mostrando uma perna cheia de feridas e escalavrada. — Esta foi um tigre!
— Um tigre? Onde? Não me diga que também foi em Évora.
— Foi em Évora, sim, Sô doutor, e digo-lhe mais. Se não parassem o carrossel a tempo, matavam-me ali mesmo!… -
Anedota
Dois alentejanos encontram-se na rua.
— Atão compadre, que cara é essa?
— Ah Zé, tou aqui que na sei! Hoje faço cinquenta anos de casado!…
— Eh Maneli, parabéns, e atão o que vais dar a tua Maria?
— Olha quando fizemos vinte e cinco anos levei-a a Lisboa…
— Grande ideia…
— Agora na sei se a vá buscari. -
Anedota
Uma pesquisadora do Ministério da Agricultura chega a um monte perdido no interior do Alentejo e pergunta ao feitor.
— Essa terra dá trigo?
— Nã, senhora — responde o alentejano.
— Dá batatas?
— Também nã, senhora!
— Dá feijão?
— Nunca deu! .
— Arroz?
— De jêto nenhum!
— Milho?
— Nem a brincar!
— Quer dizer que por aqui não adianta plantar nada?
— Ah, bem! Se plantar é diferente… -
Anedota
Um alentejano visita o Oeste americano. Lá chegado, trava conhecimento com um proprietário rural, que o convida para o seu rancho e lhe diz:
- Amanhã de manhã, às oito horas, pego no carro, aponto a direito, sem virar nem à esquerda, nem à direita, e às quatro da tarde, continuo nas minhas terras. Não acha espantoso?
- Não – diz o alentejano. – Eu também há tempos tive uma merda de um carro igual ao seu.

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